Lições para o porte de trânsito

Já faz algum tempo, que esse artigo, anda a me rodear, sempre procurando se transformar em texto. Finalmente agora ele toma forma e vira um artigo.

Porte de trânsito

Autorização aos praticantes de tiro desportivo a transportar “uma arma de porte, do acervo de tiro desportivo, municiada, nos deslocamentos do local de guarda do acervo para os locais de competição e ou treinamento” desde que com a correspondente Guia de Tráfego, cuja emissão compete ao Comando do Exército.

Estratégia da evitação

Primeiramente gostaria de reforçar nossa postura e estratégias para evitar situações adversas, perigosas e de risco. Sempre recomendamos usar nossa maior e melhor arma: nosso cérebro; para sempre estar vigilante, a frente, evitando se colocar e ou ficar em situações e locais perigosos. Manter uma postura positiva, tolerante e ciente que todo mundo tem o seu dia ruim.

Manter o auto controle e equilíbrio, sempre!

Enfim, nós nunca buscamos o confronto; buscamos sim estar longe e evita-lo. Mas sempre preparados física, técnica e mentalmente.

Vivenciar situações adversas

Encenação de Wyatt Earp, Doc Holliday, Virgil e Morgan Earp trocando tiro contra os McLaurys e Clantons ndo Tiroteio no O.K. Corral – creditos OK CORRAL Encenação de Wyatt Earp, Doc Holliday, Virgil e Morgan Earp trocando tiro contra os McLaurys e Clantons ndo Tiroteio no O.K. Corral – creditos OK CORRAL

Estudar tiroteios, duelos, confrontos do passado nos permite com atletas: esportivos e ou defensivos; planejar, desenvolver e preparar para a dinâmica em constante mudança de um encontro com risco de vida de uma forma que a prática em um típico campo de tiro não pode replicar.

Os dois casos de confrontos armados mais estudados pelo menos no lado acidental do planeta são: o tiroteio no OK Corral no Arizona – EUA e o Tiroteio em Miami de 11 de abril de 1986.

Nota: ao utilizar o termo “cidadão armado” estou me referindo ao cidadão legalmente autorizado para isso.

Tiroteio no O.K. Corral

O tiroteio no OK Corral foi um tiroteio muito famoso do Velho Oeste que se tornou parte da cultura pop americana e mundial. A escaramuça envolveu Wyatt, Virgil e Morgan Earp, que eram homens da lei famosos e ajudando-os na luta estava um dentista jogador de cartas do estado da Geórgia com uma reputação violenta chamado Doc Holiday. Do outro lado estava um grupo de cowboys, incluindo Billy e Ike Clanton, Tom McLaury e seu irmão Frank, junto com Billy Claiborne. Os homens da lei estavam tentando desarmar os cowboys, e três deles foram mortos no tiroteio.

Aconteceu no mês de outubro de 1881, e o local era Tombstone, Arizona.

Concidentemente a data na qual este artigo está sendo produzido é a data do falecimento de Wyatt Earp dia 13 de janeiro de 1929, Los Angeles, Califórnia, EUA. Há 93 anos atrás.

1986 FBI Miami shootout – Tiroteio de Miami de 1986

Em 11 de abril de 1986, agentes do FBI estavam envolvidos em um tiroteio. Nessa data, oito agentes federais atiraram contra dois criminosos violentos. Ambos os suspeitos foram mortos, enquanto dois agentes do FBI perderam a vida e outros cinco ficaram feridos.

Resumidamente, esta equipe de oito agentes estava patrulhando no que era então conhecido como Condado de Dade, Flórida, à procura de uma dupla, suspeitos de serem responsáveis por uma série de assaltos à mão armada e assassinato.

Policiais investigando a cena do tiroteiro em Miami – 11 de abril de 1986

Ao localizar o veículo dos suspeitos, os agentes bateram no carro e o forçaram a sair da rua. Seguiu-se um tiroteio, com um dos suspeitos fazendo disparos mortais com uma carabina (Mini 14) calibre .223 Rem. Três dos agentes responderam com armas semiautomáticas calibre 9 mm, cinco com revólveres Smith & Wesson com câmara de calibre .38 Special. e .357 Mag. e pelo menos uma espingarda calibre 12 foi utilizada durante o tiroteio.

Caso queira saber mais dessa luta, recomendo o livro: “The FBI Miami Firefight: Five Minutes That Change the Bureau” – O combate armado do FBI em Miami: cinco minutos que mudam o Bureau, do agente especial participante do FBI Edmundo Mireles. O caso ainda é objeto de estudo em muitas academias de segurança nas mais diversas partes do mundo. Estima-se que 145 tiros foram disparados em cerca de 5 minutos; ou seja, 29 tiros por minuto.

Aprendizado

Embora este tiroteio tenha se tornado um marco no estudo para a aplicação da lei, também pode ser extremamente educacional para o cidadão armado.

Mas, antes de ir mais longe, enquanto analisamos algumas “falhas” cometidas. Quero deixar muito bem claro. – Não estou em nenhum momento, criticando, censurando e muito menos tenho pretensão de corrigi-los, os oficiais que estiveram envolvidos, neste entreveiro.

Qualquer pessoa que se envolveu em um confronto violento pode dizer que, na melhor das hipóteses, é o puro caos assumindo o controle. As coisas acontecem, e a Lei de Murphy está quase sempre presente.

Lei de Murphy é um adágio ou epigrama da cultura ocidental que normalmente é citada como: “Qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível”

Nosso objetivo principal é aprender com a vivência de outros atiradores, para buscar uma melhor forma de superar e trazer mais segurança; principalmente com relação ao nosso porte de trânsito.

Como portar uma arma no carro

Pouco antes de bater no veículo suspeito, um dos agentes tirou seu revólver do coldre e o enfiou embaixo da coxa. No entanto, quando ocorreu o impacto do veículo, sua arma voou e ele não conseguiu encontrá-la. Ele acabou se envolvendo, no tiroteio, com seu revólver reserva de 2 polegadas.

O cidadão armado que pode ser confrontado com seu veículo sendo abalroado durante um roubo ou roubo de carro pode pensar que tirar sua arma de debaixo da roupa de cobertura e do cinto de segurança, antes do tempo, pode ser uma boa ideia. No entanto, quem já passou por um acidente de carro sabe que tudo sai voando. A solução é pensar seriamente sobre para onde você carrega sua arma. Carregar, sacar cruzado ou um coldre axilar faria mais sentido do que enfiar a arma embaixo da coxa.

Assim com base nessa lição, devemos planejar e preparar uma estratégia de como vamos portar nossa arma, de forma segura e eficiente.

Treine a seco, como portar, sacar e engajar dentro de veículos, caso seja possível faça cursos com foco defensivo.

Uso de óculos

Na colisão dos veículos um dos agentes do FBI perdeu seus óculos. Este é um assunto que raramente é discutido quando se fala em confrontos violentos. E, ainda, confrontos violentos muitas vezes se tornam físicos. O cidadão armado que usa lentes corretivas deve pensar seriamente em como protegê-los durante um ataque. Um optometrista (A Optometria, do grego opto + metria, é uma prática profissional voltada para os cuidados com a saúde dos olhos e da visão, o que inclui a medição das capacidades visuais e defeitos dos olhos. Tal prática existe no mundo há mais de cem anos, tendo o profissional o nome de Oculista ou Optometrista) pode oferecer várias soluções que foram desenvolvidas para atletas que precisam usar óculos resistentes durante a competição.

Aqui mesmo não usando óculos corretivos, seria interessante estar utilizando um (até mesmo um óculo de sol) como forma de proteção contra os resíduos dos disparos. Planejar uma forma segura de utilizar óculos, trazendo mais uma camada de segurança pessoal.

Abafadores

Para nós atiradores esportivos o conjunto óculos e protetor auricular, são equipamentos obrigatórios de uso quando estamos disparando no clube.

Se pensarmos que em caso de defesa, talvez seja necessário fazer disparos dentro do veículo, tal fato indica que seria muito interessante e recomendável o uso de um abafador interno com filtro eletrônico (uma opção discreta, que não afeta em nada a capacidade de prestar atenção aos sons da via de deslocamento).

Vale lembrar que hoje em dia as equipes militares em combate utilizam algum dispositivo eletrônico para proteção auricular; pois em guerra, um alto som pode causar desorientação, fato não muito agradável quando alguém está atirando contra você.

Mais uma vez: formular, planejar uma estratégia para proteção auricular.

Arma reserva

Muito embora nossa legislação não permita essa prática. Mas ter em mente tal conceito não é ilegal.

Durante o desenrolar do duelo entre criminosos e os agentes do FBI. Um dos policiais teve sua arma desabilitada por tiros de rifle. Esta não é uma ocorrência incomum devido ao fato de que as pessoas costumam atirar na arma porque a veem como uma ameaça e é nisso que estão focadas. O cidadão pode, de repente, estar fora da luta e ou em uma luta que ainda está acontecendo. Já que para nós brasileiros carregar uma arma reserva não é viável. Ter uma outra arma por perto pode não ser uma má ideia.

Treinar de forma diferente

Estudar esse tiroteio em particular realmente traz para casa o fato de que as coisas não acontecem na vida real como acontecem no campo de treinamento. E, concentrar todos os nossos esforços em ser bom no stand, contra silhuetas de papel, pode dar uma falsa sensação de confiança.

Obs.: Todos as equipes táticas, militares, policiais…etc, treinam utilizando silhuetas de papel. Fato! Todos são treinados para serem eficientes contra alvos de papel.

Os tiroteios são eventos dinâmicos e frequentemente eventos bastante físicos. É importante perceber que ser um atirador bom e rápido é apenas parte da equação. O cidadão armado deve aprender como lutar e como sobreviver quando as coisas ficam próximas do ponto de vista físico e pessoal. Portanto é muito importante, procurar estar em forma tanto física como mental. Treinar se possível as mais diversas disciplinas de tiro esportivo, estudar, ler, trocar informações e experiências, saber ouvir… Deste modo vamos aumentando nossa bagagem de conhecimento e experiências, o que vai facilitar e muito na superação de situações adversas.

Superação das adversidades, determinação

Por fim, como último exemplo para o cidadão armado, que quero discutir é o agente que escreveu o livro que mencionei no início desta matéria.

No início do confronto, Mireles recebeu um ferimento a bala no braço esquerdo que quase estraçalhou seu antebraço. Ele também foi atingido por um fragmento de bala no couro cabeludo, fazendo com que sangue escorresse pelo rosto. Apesar disso, Mireles se protegeu e começou a usar uma espingarda de calibre 12 de ação por bomba.

Ele se manteve em ação e atirando e manobrando a espingarda com uma das mãos, o que, aposto, não era ensinado na Academia do FBI. Meireles fez uso de seu treinamento, experiencia, vivencia e extremamente determinado; superou e dominou o combate, no calor da batalha. Assim que a espingarda secou, Mireles se levantou e se aproximou dos dois suspeitos com seu revólver de serviço, dando os tiros que encerraram a luta.

Conclusão

As lições que esse confronto nos ensinam: são a determinação em lutar, entender, esperar e superar condições adversas. Da mesma forma, Ed Mireles nos ensina a nunca desistir. Lutamos até morrer ou a luta acabar, mas nunca desistimos!

Espero que esse artigo possa colaborar com seu porte em trânsito.

Munição calibre 38 – O popular “três oitão”

Em primeiro lugar, sou um cara de pistola, não vou negar ser tendencioso em relação aos cartuchos de revólver (recomendo ler os artigos: Pistola X Revólver e Pistola ou Revólver) Só que minha primeira arma foi um revólver calibre 38, que era par de um revólver calibre 22 LR ambos de 6 polegadas. Mais tarde, um revólver de 2 polegadas e um 357 de 4 polegadas. Assim, tenho um carinho especial com relação ao conjunto arma e calibre 38.

O calibre .38 Smith & Wesson Special ou .38 Special, .38 SPL , 9,1×29 mm R (o R significa aro de rim em inglês) ou no popular três oitão. É uma munição de fogo central projetada pela Smith & Wesson no ano de 1898; uma versão melhorada do .38 Long Colt. É uma munição própria para revólveres e carabinas, contudo existem pistolas que usam esse cartucho. A mais famosa a Smith & Wesson Model 52 – cujo apelido é o Mestre do 38.