A história do tiro no Brasil

A história do tiro esportivo tem surgido inicialmente por volta do século XIX sendo os primeiros registros em competições na Suécia e, rapidamente, o resto da Europa e do mundo aderiu à modalidade na Europa, sobretudo devido o emprego no treinamento militar e na caça. Desde então se destacou nas competições mais famosas com as olimpíadas da era moderna, que ressurgiu em 6 de abril de 1896, em Atenas, na Grécia e também esteve presente no Pan desde a sua primeira edição, em 1951, na cidade de Buenos Aires, na Argentina, entre os dias 25 de fevereiro e 9 de março.

A Suécia tem um grande histórico de tiro ao alvo. Já em meados do século XIX competições de tiro de veados nos 100m começava a acontecer na Suécia. Na virada do século XIX-XX, as competições se tornaram cada vez mais comuns, tanto na Suécia quanto internacionalmente.
Oscar Gomer Swahn de 1908 ganhou ouro olímpico em Londres nos tiros individuais contra veados, e bronze em tiro duplo aos veados. A Suécia também venceu a competição por equipes na competição de tiro único; Em 1912 a Suécia conquistou muitas medalhas sendo sete medalhas de ouro, seis de prata e quatro de bronze e é um país considerado muito tradicional no esporte do tiro.

Atiradores suecos nos Jogos Olímpicos de 1912. O homem de barba branca é Oscar Swahn

A NRA – National Rifle Association, dos Estados Unidos, fundada em 1871, foi a mais importante entidade na difusão do esporte; Em seguida foi criada a Federação Internacional de Tiro Esportivo (ISSF) com mais de cem países filiados. Embora seja um artigo focado na história do tiro no Brasil, as origens são relevantes.

Então vamos falar da história do tiro no Brasil!

No século XIX com a imigração para o Brasil, destacando os italianos e alemães, com maior incidência na região SUL do Brasil, o tiro se deu início em nossa história e, com a cultura da caça trazida da Europa, criou-se uma forte cultura na região.  Uma tradição importante se iniciou na época, uma competição “chamada tiro ao rei” iniciada em 1850 mais ou menos pela mais antiga sociedade de tiro – “Schützenverein Blumenau”, que foi fundada em dezembro de 1859, deu mais visibilidade ao esporte do tiro.

 

1859 – SCHUTZENVEREIN BLUMENAU Livro da Escritora Sueli Maria Vanzuita Petry

As festas do Tiro ao Rei ocorriam uma vez por ano e duravam três dias e ocorriam geralmente no mês de Maio. Muitos habitantes participavam dessa festa, que além do torneio de tiro tinha muita dança, músicas alemãs e claro, muita cerveja!
O primeiro dia era reservado ao festejo religioso, o segundo dia era de competições de tiro, no terceiro dia acontecia a proclamação dos vencedores do tiro de “rei do alvo”. Era um torneio bastante disputado, o atirador basicamente tinha que disparar uma série de três tiros com sua a arma apoiada sobre um cavalete, em um “alvo” que nada mais era do que um pedaço de madeira com 20 zonas de alvejamento, distante a 165m dos atiradores.  Era muito comum o uso de fuzis de 8mm mas com a I grande guerra, as restrições governamentais obrigaram aos competidores adotarem um novo armamento. Então foram utilizadas carabinas calibre .22 e para isso reduziu-se a distância para 50m!

 

Quem vencesse a prova podia efetuar dois disparos sobre um pedaço de madeira, geralmente trabalhado artisticamente e que levava inscrições com o nome da sociedade de tiro e seria o “troféu” entregue após ser proclamado “rei do tiro”; havia também o título de “Rainha do tiro”, disputado à bala, da mesma forma! O rei e a rainha ficavam, assim proclamados, até a próxima edição, 1 ano depois!

Em 10 de março de 1899 nasceu no Rio Grande do Sul o TIRO NACIONAL uma entidade que tinha a finalidade de desenvolver a prática do Tiro pratico pelas sociedades e Clubes de Tiro já existentes, dando assim origem a Confederação de Tiro Brasileiro, que reunia todas as entidades do tiro. 

O tiro de guerra também foi crucial e relevante para o tiro esportivo,  uma instituição militar do Exército Brasileiro encarregada de formar atiradores. A origem dos tiros de guerra remonta ao ano de 1902 com o nome de linhas de tiro, quando se fundou em Rio Grande (Rio Grande do Sul) uma sociedade de tiro ao alvo com finalidades militares.

Em 1914 o Tenente Guilherme Paraense e outros atiradores, inauguram o Revolver Clube, no Rio de Janeiro com a máxima solenidade, inauguraram-se os stands Bernardo de Oliveira, do Revólver Club e Alberto Braga da Sociedade de Tiro ao Voo, do Rio de Janeiro. Ambos os stands foram inaugurados pelo Marechal Hermes, presidente da República. O estande “Bernardo de Oliveira” ,destina-se ao tiro de precisão para revólver e carabina com foco no tiro prático e o estande “Alberto Braga” ao tiro ao voo “tir aux pigeons”, mais focado no esporte de rendimento

Inauguração do estande do clube revólver - Primeiro tiro disparado pelo Presidente Marechal Hermes da Fonseca - Foto Revista O Malho/1914

No dia 3 de agosto de 1919 é inaugurado o histórico estande de tiro do Fluminense Futebol Clube, por iniciativa de Afrânio Costa dando o impulso necessário ao Tiro Brasileiro. Naquele tempo, as pessoas atiravam de paletó e gravata.

Estande de tiro do Fluminese Futebol Clube
Afrânio Costa e Guilherme Paraense

Em 1920 o Brasil conquistou sua primeira medalha de ouro olímpica, na Antuérpia, Bélgica, sendo esta a primeira vez que o Brasil participou dos Jogos Olímpicos. Os brasileiros conseguiram três medalhas, todas no tiro esportivo: duas individuais e uma por equipe. Guilherme Paraense, tenente do Exército, foi o responsável pela conquista do primeiro ouro olímpico, no tiro rápido (25m) individual e Afrânio Antônio da Costa, conseguiu a medalha de prata na pistola livre (50m) individual. Na mesma prova, só que por equipes, os dois ganharam o bronze junto com Sebastião Wolf, Fernando Soledade e Dario Barbosa.
Os Jogos da Antuérpia, em 1920. A conquista de Guilherme Paraense foi um marco para o esporte brasileiro, assim como a de seus companheiros que conquistaram a prata e o bronze inéditos para o Brasil.

Até o ano de 1964 somente os homens participavam das competições e somente em 1968, quando os jogos olímpicos aconteceram na Cidade do México, as mulheres puderam participar.

Em 02 de julho de 1923 Afrânio Costa ajudou a fundar , no Rio de Janeiro, a FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TIRO elaborando seus estatutos baseado na UIT(União Internacional de Tiro) como entidade civil do Tiro e tendo sido e 1º secretário. A FEDERAÇÂO atuou até 1927 quando foi extinta com a criação da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) órgão do governo que unia todos os esportes amadores

Com o fracasso do esporte amador nas Olimpíadas de Los Angeles em 1932, Afrânio Costa é chamado para reestruturar o Tiro Brasileiro e assim, em 1935 fez ressurgir a FBT (Federação Brasileira de Tiro)

Em 1935 o CND (Conselho Nacional dos Desportos) sucede a CBD. Mesmo com bons resultados em Berlim, o tiro esprotivo brasileiro não trouxe medalhas. Com a 2ª guerra mundial, o esporte do tiro foi extremamente prejudicado pela falta de apoio do governo. A situação era crítica e lamentável para os atletas pois não havia qualquer tipo de recursos para os órgãos desportivos, que por sua vez não podiam contemplar as federações e, assim, muitos esportes, não só o tiro desportivo, foram prejudicados.

Em 11 de novembro de 1947, representantes de quatro recém-criadas Federações de Tiro, elegeram o atirador Afrânio Antonio da Costa para presidir a CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TIRO AO ALVO (CBTA), atualmente CBTE (Confederação Brasileira de Tiro esportivo) e presidida pelo atirador DURVAL FERREIRA GUIMARÃES, participante de cinco olimpíadas.

O Esporte do tiro vem crescendo e ganhando adeptos, estima-se hoje por volta de 450 mil CACs (Caçadores Atiradores e Colecionadores). Esse esporte admite o tiro informal conhecido por tiro prático e o formal, que é o esporte de alto rendimento. 

Abaixo as categorias olímpicas:

Armas Curtas

  • Pistola de Ar – Masculino e Feminina
  • Pistola Sport – Feminino
  • Pistola Livre – Masculino
  • Pistola de Tiro Rápido – Masculino

Armas Longas

  • Carabina de Ar – Masculino e Feminina
  • Carabina Deitado – Masculino
  • Carabina Três Posições – Masculino e Feminina
  • Alvo Móvel – Masculino

Tiro ao Prato

  • Fossa Olímpica – Masculino e Feminina
  • Fossa Dublê – Masculino e Feminina
  • Skeet – Masculino e Feminina

Segundo o Vice-presidente da Liga Nacional de Tiro ao Prato, Trap Americano, Acir Castellane e atualmente Diretor Financeiro da Federação Paranaense de Tiro Esportivo, A liga tem 100 Clubes de Tiro Esportivo filiados e estimamos mais uns 50 sem filiação, com um consumo em torno de 7 milhões de pratos por ano sendo que consideramos um índice de 10% de quebra, conhecidos como  “No bird” (Prato ilegal, que quebra mesmo antes de ser lançado ou então é lançado sem que o atirador tenha pedido), temos então em média 6.300.000 de pratos que são lançados e atirados!

Há ainda que se falar em IPSC e IDSC que são modalidades do tiro prático.

Em 1976 foi fundada a IPSC (International Practical Shooting Confederation) por representantes de nove países onde o esporte começava a se popularizar. … As competições de IPSC são organizadas levando em consideração o Motto da prática: “Diligentia, Vis, Celeritas” (DVC), que significa “Precisão, Potencia e Velocidade”.

IDSC (International Defensive Shooting Confederation) também é uma modalidade de tiro, porém, que tem como o objetivo a prática de defesa pessoal com o porte oculto do armamento, na qual dentro do cenário de tiro, é criado uma simulação da vida real para todos os praticantes.